
Embalei-me e me entreguei
Fiz-me contente, numa embalagem de presente
Devolveste-me sem abrir, sem ver o conteúdo
Fez-se mudo, fez-se ausente
De volta, quebrada, dividida
Recolhi os pedaços, recompus
Colei onde foi possível, refiz peça perdida
Num quebra cabeças, no escuro, sem luz
Escondi-me num canto, curei feridas
Sem me importar com cicatrizes, saí
Fui pra rua, não estava pronta, tropecei
Muitas vezes, outras tantas cai
Mas o tempo, meu tempo presente
Traz-me de volta, faz milagres, cura
Minha alma, seca minhas lágrimas
E me recupera, tira-me da loucura
Olho, o sol que se põe, tarde que chega
Vida que vai, vida que vem, presente
Tempo presente, vivo meu presente
Mas não mais me dou de presente.
Fátima R. Batista
3 comentários:
Vida que vai, vida que vem...e o que a gente mais aprende é se remendar e começar tudo de novo!
beijos, lindo final de semana
Viver o presente deveria ser... quanto baste para a felicidade.
Não é.
Sempre estamos um pouco no passado, no sentido da memória... com um pé no desejo de futuro...
Eu gosto.
Sinto melhor os dias assim...
Um beijo
Felicidades!!!...
Ah!.. fantástico o comentário da Sónia. Verdade que nossa participação é muito de segurar... remendar... e recomeçar.
Dias bons de fim de semana
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