quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Testamento


Fico calado de cotovelos nessa folha
Arremato os lados como moldura
Para que nada fuja
Nunca deixei de tomar nada
para que eu não tenha insônia;
nada que não me embriague;
nada que não engorde;
para que não me engravide;
para que não falem de mim
Nada que não ofereça atalho ao meu sopro de vida
Não fugi de paixões
Como não sou politicamente correto
Muito mesmo sou fisiologicamente correto
Tenho suores frios
Pela espera verdadeira
E pela a que imagino
Alias, mais deliro e sonho
do que vivo o real
Na verdade mesmo
acho que perdi meu limiar
acho que sou emocionalmente indefinido
Lamento não ter entregue
meu quinhão de emoção completo
a uma alma feminina que quis me dar a sua
mas se não dei
deixei usufruir...alias deixo em usufruto

Essas molduras
são construções
de linhas imaginarias
policromas por minha vista disforme do momento
que cercam com competência um vulto
e um punhado de lagrimas sem emoções definidas
são as melhores...


Luciano Lopes - Lupi

3 comentários:

Glória Müller disse...

Maria, tudo bem? Que gravação linda dessa música, adorei.
Bem, um pouquinho menos alegre e um pouquinho mais triste... Mas tenho certeza que aqui eu serei bem recebida como sempre!
Beijos
Glória

Carlos Rímolo disse...

Querida amiga e poetisa Maria!
Seu Blog é lindo e de conteúdos maravilhosos. Adorei. Achei muito lindo também o poema "Testamento".
Meus parabéns!!!!
POETA CIGANO - 19/02/2010.

carlosrimolo.blogspot.com

Everson Russo disse...

Um beijo carinhoso e um lindo final de semana pra ti.