segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BRISA DO TEMPO


Primeiro era um banco
Frente ao mar calmo.
Sentados nele, calmos,
Dois marinheiros,
Que dividiam a mesma alma,
Falavam de amores passados
Que nunca passaram.

O mais velho tinha um porto em cada amor,
O mais moço tinha um amor em cada porto.

Havia neles uma solidão
Que o mar não continha.

No dia seguinte era um banco
Impregnado de vazios,
E um navio à procura de um porto
Que pudesse lhes conter a alma.


Oswaldo Antônio Begiato

6 comentários:

Everson Russo disse...

A solidão sempre presente, ela é de todos nós, se faz em todos nós....um beijo carinhoso e uma bela semana pra ti.

Luis F disse...

Regressei ao teu mundo para ler e sentir o encanto deste belo espaço...

Agradeço esta bela partilha aqui deixada... belo poema

Deixo uma onda suave...

"Não sou nada
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo".
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Com amizade
Bj
Luis Ferreira

Irene Moreira disse...

Maria

Viver essa vida é estar só =, apreciar a beleza do mar e poder estar na Brisa do Tempo e viver de suas recordações.
Muito bonito.
Beijos

Memória de Elefante disse...

E tantas vezes somos marinheiros tristes, que os pensamentos não nos abandonam e lá vamos lúcidos e tristes...

Um abraço

Sonia Schmorantz disse...

Os poemas de Begiatto são muito bons, tua escolha foi das melhores!
beijo

Everson Russo disse...

Um beijo pra desejar um dia muito lidno pra ti...