terça-feira, 8 de setembro de 2009

ÁGUA DE REMANSO


Cismo o sereno silêncio:
sou: estou humanamente
em paz comigo: ternura.

Paz que dói, de tanta.
Mas orvalho. Em seu bojo
estou e vou, como sou.

Ternura: maneira funda
cristalina do meu ser.
Água de remanso, mansa
brisa, luz de amanhecer.

Nunca é a mágoa mordendo.
Jamais a turva esquivança,
o apego ao cinzento, ao úmido,
a concha que aquece na alma
uma brasa de malogro.

É ter o gosto da vida,
amar o festivo, e o claro,
é achar doçura nos lances
mais triviais de cada dia.

Pode também ser tristeza:
tranqüilo na solidão macia.
Apaziguado comigo,
meu ser me sabe: e me finca
no fulcro vivo da vida.

Sou: estou e canto.


Thiago de Mello
in " A Fruta Aberta "

Um comentário:

REGGINA MOON disse...

Maria querida,

O que me encanta é o seu poder de encontrar verdadeiras pérolas poéticas como essa de Thiago, não conhecia, mas a julgo um clássico!!

Maravilha!

Uma linda semana!!

Reggina Moon