quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fugaz


Passagem por uma paisagem,
lugar do onde, do ontem, do quando,
quantas palavras ficaram faltando
na boca cheia de imagens.
O outro é aquele que ficou à margem,
no espanto de um pronome,
no corpo de uma brisa suave;
o outro é como uma fome
pluma à deriva, à distância, ou quase.

Estranho em sua própria viagem,
garrafa com uma mensagem,
olhar durando numa flor,
sem nome, secreta, selvagem.

Desterro, água bebida num trem,
peça incompleta, festa adiada, vertigem,
a cabeça sempre em alguém,
eu outro, eu todos, ninguém.

Rodrigo Garcia Lopes

3 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

O que há de mais bonito nesse mundo virtual são estas pérolas que são publicadas aqui...é muito lindo este poema!
beijo

Retalhos de Amor disse...

Momentos raros estes que contigo
passo, Linda Maria...
Raros e insubstituíveis!!!

Beijos pra ti, Amiga...
No coração!!!
Iza

Maria L. Bózoli disse...

Agradeço vossa visita.
Tudo o que eu puder compartilhar de mais bonito, aki estará com certeza.

Beijos de coração prá coração!