quarta-feira, 29 de julho de 2009

CANTAR



Cantar de beira de rio;
água que bate na pedra,
pedra que não dá resposta.

Noite que vem por acaso,
trazendo nos lábios negros
o sonho de que se gosta.

Pensamento do caminho
pensando o rosto da flor
que pode vir, mas não vem.

Passam luas - muito longe,
estrelas - muito impossíveis,
nuvens sem nada, também.

Cantar de beira de rio:
o mundo coube nos olhos,
todo cheio, mas vazio.

A água subiu pelo campo,
mas o campo era tão triste...
Ai!
Cantar de beira de rio.


Cecília Meireles

2 comentários:

Flor disse...

Cecília Meirelles lindo
lindo tudo que vc faz amiga
parabéns e obrigada

M@ria & M@ria * Reserva disse...

Obrigada amiga Mª Rita!
Adoro Voceeeeeeeeeeeee!