
A mocidade esplêndida, vibrante,
Ardente, extraordinária, audaciosa.
Que vê num cardo a folha duma rosa,
Na gota de água o brilho dum diamante;
Essa que fez de mim Judeu Errante
Do espírito, a torrente caudalosa,
Dos vendavais irmã tempestuosa,
- Trago-a em mim vermelha, triunfante!
No meu sangue rubis correm dispersos:
- Chamas subindo ao alto nos meus versos,
Papoilas nos meus lábios a florir!
Ama-me doida, estonteadoramente,
O meu Amor! que o coração da gente
É tão pequeno... e a vida, água a fugir...
Florbela Espanca
In: 'Charneca em flor'
2 comentários:
esse soneto é muito lindo!
bjão.
Olá Maria!
Amar desse jeito adolescente
dá cor e vida a um grande amor
apenas se ama, nada é urgente
tudo o resto perde o seu valor
Florbela Espanca a rainha sonetista. Beijos.
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