sábado, 8 de agosto de 2009

Meu velho



Teu olhar cansado,
Tuas rugas expostas
E pra a mim a resposta
Dos anos passados
Das lutas sofridas
Umas perdidas
Outras vencidas
Das lágrimas choradas
Ou contidas.

Seu andar trêmulo
Na mão uma bengala.
Já um pouco surdo
Seu olhar turvo
No coração a certeza
De que o tempo
Deu-lhe o tempo
De ver os frutos dos frutos.

Sua fala ofegante
Compassada, pensada,
Experimentada
Que os anos lhe deram
Faz-me debruçar
Em seus braços
Sentir seu abraço
E a Deus agradecer
Por ser feito de você
Meu pai, meu velho
Meu grande amigo.

Ataíde Lemos


Homenagem para meu pai amado com 90 anos de idade
Parabéns Sr Alberto Bózoli.......Ke Deus te abençoe !

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

1372 DIAS



São mil trezentos e setenta e dois dias
As prímulas e as acácias amarelas
Não voltaram a florescer
E todos os "sóis" nascentes morreram
Silenciosos a cada entardecer
As fases da lua...
Essas fizeram-se nuas ao meu ver
Mas "aquela” estrela reluzente
Ainda brilha cordialmente
Me dando a entender que ali está
Um pouco de ti
Tenho brincado de poetar
Só para te encontrar nas linhas
E entrelinhas dessa saudade sem fim
Essas poesias que são minhas
Eternamente serão tuas
E não há uma só "vírgula"
"Ponto" ou "reticência"
Que não haja uma lágrima minha
A procurar por tua presença.

Simplesmente Teresa

Abra os olhos e o coração!



Um novo dia se inicia
Sinta o cheiro das flores e da vida
Dê um abraço de carinho na sua alma
Faça sua oração
Sorria!
O dia hoje é todo seu
Busque a sua felicidade
Ame sem maldade
E acredite num dia melhor
No sol que vai brilhar na sua alma
Perder a calma??? Jamais
Perder a esperança??? Nunca
Nós podemos muito mais
O hoje começa agora
Então agradeça o dia que se inicia
Dê seu carinho, sua atenção
A gente só recebe o que oferece.

Autor Desconhecido

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Medo...



Olha nos meus olhos
E vê o amor que
Transborda...
Lagrimas teimam
Em querer sair...

Tenho medo de
Estar amando sozinha...

Olhe nos meus olhos
Decifre, leia meu olhar
Meu amor esta
Querendo você...

Maria Bonfá

Flores de Cactus




Flores de cactus resplandecentes,
Espelhantes, encarnadas!
Rubras gargalhadas
De cortesãs…
Embriagam-se de sol,
Pelas doiradas manhãs,
Viçosas e ardentes!

Bela flor imprudente!
Brilha melhor o sol rutilante
Nas suas pétalas vermelhas…
É sugestivo
O ar insolente
E petulante,
Como se deixam morder
Pelas doiradas abelhas!

Nascem para ser beijadas
E possuídas
Pelo sol abrasador…
Lascivas,
Predestinadas
Para os mistérios do amor!

Eu gosto desta flor pagã
E sensual,
Que num místico ritual
Se entrega toda aberta
Aos beijos fulvos do sol!

Oh! Flor do cactus enrubescida!
No teu vermelho, há sangue, há vida…
- E eu tenho uma enorme sede de viver!


Judith Teixeira

PEQUENAS GRANDES COISAS



Eu quero a felicidade pequena
estampada num breve sorriso.
Quero a alegria da surpresa
numa emoção sem aviso!

Quero o gosto da vida,
da oração ser o amém!
Quero ser o muito pouco,
e o muito pra quem nada tem!

Quero os braços estendidos
em busca do abraço apertado!
Ser a saudades do ontem,
e o sonho realizado!

Eu quero ser a gota de chuva
matando a sede que seca!
Eu quero ser a luz e a esperança
no perdão do homem que peca!

Eu quero ser coisa pequena
pra quem dá valor à vida.
Quero ser lágrimas que molham
a alma arrependida.

Do céu, quero ser estrela,
a mais frágil, a pequena.
Quero ser cisco no olho
do envejoso que envenena.

Da frase, ser a vírgula,
do poema, última rima!
Viver das pequenas coisas
que são grandes obras-primas!


(Mell Glitter)

AZUL E COR DE ROSA



A poesia pode ser perigosa,
a gente se encontra
de azul e cor de rosa,
se apaixona e depois como fica?
Você lá e eu aqui,
ambos brincando de ser feliz.
Assim nós dois,
nessa infinita vontade de poetar,
somos as rimas,
as vírgulas e os pontos.
Só falta agora
vivermos esse encontro,
que poeticamente nos aproxima
dos mesmos sonhos de amor . . .

Homenino Poeta

Silencio da madrugada



Silencio da madrugada


Silencio... É madrugada
Sem sono.
Deito, levanto
Penso, repenso
E os pensamentos viajam.
Pega a estrada do passado
E vai embora..
Pega,curvas e desvios
E desaparece na estrada.
E chega la... Na infância,
Corre no campo
Corre na chuva
E na lagoa mergulha.
Corre atrás das borboletas
E no galho da mangueira
Senta para ficar
Bem, mais pertinho do céu.
E a lua é tão clara
Que mais parece que é dia
E no céu tantas estrelas,
Que nem dá para contar.
Todos os galhos cintilam
Cheinhos de vaga-lumes
Tudo é tão bonito
Que os pensamentos pararam.
Mais é tempo de voltar
Quem sabe o sono chegue
Pois cansou de viajar
E a infância tão bonita
Entre as estrelas ficou.


Terezinha C Werson

Valsando um verso



.
Um verso vem,
Cheio de compasso,
No seu passo...
Uma volta, envolve...
Ritmo nas quadras,
Preso nas rimas,
Da sinfonia...
Um verso vem,
Um movimento também.
Um verso chega
Rodopiando na alma.
O verso vem,
Por mim, em voltas
O verso vem,
Por ti, pela imagem
Pela leveza
Do corpo no salão...
Um verso vem,
Pelas letras
Dançando nas páginas,
Pela dobra, pelo ar
Um verso vem,
Na intenção de...
Simplesmente amar....
.
Betânia Uchôa

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Através da imaginação



Através da imaginação
Posso viajar a mundos distantes
Posso caminhar entre as estrelas
Posso navegar em altos mares.
Posso construir castelos
Posso existir nas fabulas, nos sonhos
Posso viver a utopia do amor.
Posso desprender-me da razão
Do corpo, libertar a alma.
Posso ser uma poesia
Posso levantar altos vôos
Posso viver a magia da fantasia.
Posso alimentar desejos
Posso satisfazer o prazer.
Através da imaginação
Posso viver a liberdade
Sem regras, sem exceção.
Torno-me imortal, onipresente
Sem limite de tempo, de espaço.
Posso conhecer a essência dos sentimentos.


Ataíde Lemos

BAÚ DE SONHOS



Limpando os guardados da alma
Encontrei meu baú de sonhos...
Tranca emperrada; poeira e teias
Retirei com a calma não peculiar

Titubeante entre o romper o lacre
E esconder as fraquezas tantas
Eis que um vento adentra meu canto
E (puro encanto) rompe-se o fecho

(Já nem lembrava mais o que eu guardava ali
Tanto tempo passado...Aceitável esquecimento?)

Tantos sonhos adormecidos, semi-mortos, tantos
Despertando assim, e sem poeira, vivazes
Saltitantes, primam em meu incentivo; audazes
A varrer as tantas gavetas da alma embolorada

Baú de sonhos; limpeza de teias, asas ao futuro
Arejada a alma, sonhos respiram e voejam...

Lena Ferreira

FLOR BRANCA



Que você nunca se aparte
Da delicada orquídea branca
Que traz em seus cabelos;
Pedra rara em jóia única.

Que você nunca ceife
Seus cabelos alongados
Que lhe cingem a cintura;
Mistério feminino do existir.

Que você nunca negue
Sua cintura às minhas mãos;
Elas ainda têm o brando perfume,
Da orquídea branca que lhe ofertei.

Que você nunca se aparte
Da imaculada orquídea branca
Que traz em seus cabelos;
Insígnia de meu devotamento.


Oswaldo Antônio Begiato

Eu



Extrapolei
Todos os limites
Que me deixavam
Presa a viver a risca
Padrões impostos
Por uma gama
De conceitos regidos,
Comportamento exigido
Pelos bons costumes
Pressenti a farsa no ar
Tenho faro de loba
Faro de mulher, de louca
Vivo mente e coração
Sentimento, visão e emoção
Quero ser esposa ou amante
Nunca estação intermediária
Jamais aceitarei migalhas
Minha liberdade...
É o discernimento
Deixei para trás os limites
Sou uma mulher de alma nua
Sou mulher sol, sou mulher lua


Graciela da Cunha

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Canção do vento e da minha vida



O vento varria as folhas,
o vento varria os frutos,
o vento varria as flores...

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
o vento varria as músicas,
o vento varria os aromas...

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
e varria as amizades...
o vento varria as mulheres.

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de afetos e de mulheres.

O vento varria os meses
e varria os teus sorrisos...
o vento varria tudo!

E a minha vida ficava
cada vez mais cheia
de tudo.

Manuel Bandeira

GOSTO QUANDO CALAS.



Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.


PABLO NERUDA

Súplica



Agora que o silêncio é um mar sem ondas
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim.
Já tão longe de ti, como de mim.
Perde-se a vida, a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz, seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

Flamboyant



Pousou em mim seu olhar,
puro verde, hortelã.
Sorriu, a boca rubra
fresca juventude, maçã.
 
Ao longe, verde e vermelho
era brisa em cor o Flamboyant...

Lenise Marques

Oceanos



Pelas enseadas remotas de meu ser
Nos oceanos internos de mim
Navegam belas e transparentes naus
Por mares e horizontes sem fim.

Na caravela translúcida sobre as ondas
Sobre o tombadilho, olhos na imensidão
Velas ao vento, busco a terra prometida
Eu continente, minha alma feito chão.

Após anos e anos de marítima procura
Enfim a descoberta, com imensa surpresa
Mas também com certa dose de ternura:

De que não sou ilha, istmo ou continente
Mas sim a pequena menina, só, na praia
Caminhando descalça ao sol poente.

Lenise Marques

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ROSAS DE SAROM



Toma posse dos frutos do teu amor
ainda na tenra idade, como quem colhe
as rosas que primeiro desabrocharam
na orla do teu jardim...

Toma posse dos frutos da esperança
como o fazem os jardineiros de Sarom
que aguardam a floração das rosas
entre as sarças do Hebrom...

Toma posse dos frutos de teus sonhos
ainda que estejam verdes, como as aves
retomam entre os ciprestes do deserto
o seu ninho de esmeraldas...

Toma posse dos frutos de teu perdão
antes que seja tarde, como os pássaros
que reconstroem seu último refúgio
entre as pedras atiradas...

Toma posse de tuas ocasiões perdidas
mesmo que nunca reencontradas
como o fazem os lírios dos campos
que não precisam de nada...

Toma posse de teus ingênuos devaneios
como as rosas de sarom o resplendor
e dos botões-de-ouro de teus seios
nas dunas do teu formoso amor!

Afonso Estebanez

CANÇÃO



No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo que existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.


Cecília Meireles

Assim nasce a poesia


Coração pulsante,
tomado de emoção
pela explosão
de energia,
que de fora vem,
pelo embalo da esperança
que manda lembranças
ao outro coração.

Liberta-se a alma
e fragmenta-se
em milhares de
pontos de luz.
Viaja nas asas do vento,
se faz viajante do tempo.

Movido
pela força do amor
por onde vai,
por onde passa,
tudo transpassa,
tudo transforma
em ouro ou em flor.

Assim nasce a poesia
é o embrião fecundado
pela força da união
da alma e do coração
pela energia do amor.


Mauricio Chila Freyesleben

As deusas adormecem nas rosas.



No céu um bordado de estrelas
como se fossem cabelos de deusas
Voando no véu
de luz
Que brilha
E estica
E vai e volta
Fazendo
Cambalhotas
No vento
Que encaracola
As madeixas
Da deusa aurora...
É manhã...
As deusas adormecem
Nas rosas.

(Sirlei L. Passolongo)

PRESENTE



te trouxe de longe,
estrelas aromadas,
um pássaro cantante,
de plumagem de arco-íris,
rosas azuis, beijos recentes.
ramalhete de versos lirícos,
maquiagem chinesa,
para avivar seu semblante.
o perfume do sândalo,
acordes angelicais,
carinho de sobremesa;
flautas transversais.
uma revoada de peixes
ornamentais.
uma enchente de amor,
intenso, autêntico;
sem medida, convicto,
para agrada sua noite,
vesti a lua de linda,
minha língua como açoite,
minha presença ainda.
te quero como habitat,
pousar em seu coração,
tê-lo como morada;
paixão
e
namorada!...

gustavo drummond

balaios de um certo beija-flor



um balaio de beijos doces assim
é somente sendo os da tua saia
rendada em esmeraldas, marfins
que sejas perfeita quando balaias
que me prendas no balaiar tulpim

em flores aquecidas pelas praias
cujas ondas silhuetam meu jardim
já totalmente vivo nas encantadas
minha donzela, eu, o teu curumim

me escondendo embaixo do balaio
de beijos que a morena reservou e
que meu peito assim entusiasmado

pelas curvas do nosso louco rodado
quando o teu seio por amor balaiou e
ele me fisgou pelo carinho balaiado.


sergio, beija-flor-poeta

Saudade



Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.

Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.

Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.

Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente.

A saudade é jardineira
Que planta em peito qualquer
Quando ela planta cegueira
No coração da mulher,
Fica tal qual a frieira


Patativa do Assaré

domingo, 2 de agosto de 2009

Ser... poesia



poesia na ponta do lápis.
deslizando suave pelo papel,
Falando de amor, paixão ou
amizade.
Todas com total perfeição...

poesia que fala da alma...
da dança rondando o salão,
das risadas das crianças,
ou do choro que amarga
a boca, a lágrima ...um clarão!

Poesias dos cânticos de roda,
um ramalhete, em versos ou prosa
mas ainda palavras,
vindas do nosso coração.

poesia, uma declaração
de amor, uma breve canção...
Carregando meu sentimento,
livre, sem asas...
pela imensidão!


Betânia Uchôa

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU



Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade

O Beijo



Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escaracéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...


Alexandre O'Neil