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domingo, 6 de setembro de 2009

"LISBOA"


Anda vem ver Lisboa
cidade do meu Outono.

Vê como tombam as folhas
na Avenida da Liberdade.

Vamos até ao Rossio?
onde se passeia a vaidade
e os senhores se enamoram
das floristas e das flores.

Mas é nos Restauradores
que os barcos se avistam no Rio
no Chiado de Pessoa
onde a Bica é mais gostosa
ali mesmo na Brasileira
aquela mesa do exílio
do Kubitschek de Oliveira.

Vem,
Vamos até ao Bairro Alto
dos botequins, da boémia
e dos enamorados unisexo
um convite ao desejo
nas mercenárias do sexo.

É a calçada do amor
desenhada a emoções
das varinas e dos pregões...


Luíza Caetano
In Lisboa In Versos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

INVENÇÃO DOS DIAS


"Todos os dias
me invento criatura
em cada traço
palavra verso reverso.

Pinto poemas no vento
me embriago de algas
na espiral de cada maré.

Os barcos passam ao longe
riscando de saudades
gaivotas no horizionte.

Todos os dias me invento
estátua de sal e de Sol
passam lentos os dias lentos
e as noites madrugam despertas
numa cobardia desistente.

Todos os dias me invento
caricaturadamente alada,
Todos os dias me sento
na tua porta fechada."


(luizacaetano)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SAUDADES


Olho à volta
e não te vejo!
nem a penumbra
nem o ensejo
nem uma asa no horizonte
A distância é
um compasso na curva do meu abraço
A distância é tão longe!
Tão longe que perde a esperança
no cansaço de cada dia, na cruz do alvorecer!
Vou embora de mim, vou ser monge
num retiro do Tibete vou reaprender a Ser
dona da minha vontade
Deitar fora esta Saudade
que me está suicidando
Olho à volta... não te vejo
nem a penumbra, nem o ensejo
Nem uma asa no horizonte
Minha boca é uma sede! minha alma é uma fonte!

Luiza Caetano