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domingo, 19 de junho de 2011

AO ESCREVER POEMAS


Tenho a mão pesada ao escrever poemas,
Abro, no papel, profundos sulcos,
tipo, leito de um rio, por onde navegam
palavras, pensamentos, histórias,
coisas colhidas nas trilhas desta vida.

Não acaricio as palavras, espremo-as,
até ter delas seu sumo, seus significados.
Uso cores agressivas, por vezes exuberantes,
quando tento passar uma mensagem.

Quando falo de saudade prefiro o cinza,
nostalgia navega em branco e preto
e a revolta em águas barrentas, sempre!
Estou mais para a realidade,
a vida me fez assim!

Tenho a mão pesada aos escrever poemas,
machuco o papel, até perceber que ali existe
sangue, suor, saliva, sentimento,
não sei escrever sem expor feridas.

Parir versos é remexer nas entranhas,
é cutucar cicatrizes, fazê-las ardidas,
só assim o poema sobrevive
e eu consigo exorcizar minha dor.


NALDOVELHO

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DESCOMPASSO


Tem dias que as horas passam
num tempo diferente do meu.
Às vezes escorrem tão lentas,
às vezes apressadas demais!

Tempo de descompasso,
de se caminhar aos pedaços,
vez por outra um tropeço,
e a menor fração do momento
é nada mais que um estilhaço
e quando percebo volto ao começo,
às vezes de forma bem lenta,
quase sempre apressado demais.

E o tempo vira um amontoado de escombros,
onde o poeta se inquieta,
e o verso se contorce no assombro
da pressa ou impaciência,
de não ter como brotar.

Tem dias que as horas passam
num tempo diferente do meu
e eu nem sei como evitar.


NALDOVELHO

sábado, 22 de agosto de 2009

O POUCO QUE EU SEI


Sei dos caminhos que nos levam à loucura
e das trilhas, abismos, armadilhas.

Sei do sangue coagulado sobre a ferida
e da dor na cicatriz quando mexida.

Sei do inverno no silêncio do meu quarto,
e das lágrimas, quase sempre não disfarço!

Sei das ruas, vielas, esquinas desertas,
insônia insistente, madrugadas incertas.

Sei do amigo que se recusa ao abraço,
chuva ácida poluindo o riacho.

Sei dos esboços, dos rascunhos, dos sonhos,
projetos engavetados, lado esquerdo, tristonhos.

Sei do livro de contos inacabado,
faz tempo não pego, tenho medo do estrago!

Sei que o tempo tece teias estranhas,
corpo cansado, presa indefesa da aranha!

Sei que amanhã vou acordar setembro,
se me lembro: primavera, flores, temperatura amena!

Sei que no final deste caminho, existe um outro.
Sei da pedra, do limo, das raízes e da solidão.


NALDOVELHO