quarta-feira, 9 de março de 2011

A ESSA GRANDE MULHER



Maria... Santa Mulher...
Escolhida e anunciada,
em seu ventre de Virgem
pura e casta, se fez templo,
se fez morada.
Maria... Doce Mulher, lírio
sem mancha.
Imaculada que disse Sim a
Deus na promessa da
Salvação preparada.
Maria... Mulher e Grande
Mãe dos que cantam, dos
que choram, dos que imploram.
Maria... Santa Mulher de
todas as vidas, de todas as
horas.
Maria... Santa Mulher e
Nossa Senhora, mãe do
Menino Jesus, que se fez
rainha de toda luz.
Maria... Mulher e espelho
de todas as mulheres, que
refletem Deus aos olhos do
mundo.

_ o.vasconcelos _

sábado, 5 de março de 2011

MÁSCARA NEGRA


Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou
E te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval
Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrô
Que te abraçou
E te beijou, meu amor
A mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Zé Kéti e Pereira Matos

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pierrot, Colombina (e Arlequim)



Enquanto o show não termina,
Nossas casas são as ruas, e eu de Pierrot.
Carnaval nos olhos, vem você de Columbina,
E ficamos nós, par de um ímpar amor.

E seu passo de dança no meu se combina,
Um leque refresca o Fevereiro calor.
Você, mais à vontade, lá na esquina
Brincando com brincos e roupas de toda cor.

Eu, Pierrot, triste fico ao ver-te com Arlequim:
A lágrima desenhada no rosto, se multiplica
E o meu coração de bobo em pedaços que fica.

Mas nunca desisto de ter seu amor pra mim:
A moça Colombina , que em beijos quero ter,
Nunca me vê... eu a amo e ela ama outro ser!


Poemas do samuel (BloG)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"ÁGUA DE REMANSO"

Cismo o sereno silêncio:
sou: estou humanamente
em paz comigo: ternura.

Paz que dói, de tanta.
Mas orvalho. Em seu bojo
estou e vou, como sou.

Ternura: maneira funda
cristalina do meu ser.
Água de remanso, mansa
brisa, luz de amanhecer.

Nunca é a mágoa mordendo.
Jamais a turva esquivança,
o apego ao cinzento, ao úmido,
a concha que aquece na alma
uma brasa de malogro.

É ter o gosto da vida,
amar o festivo, e o claro,
é achar doçura nos lances
mais triviais de cada dia.

Pode também ser tristeza:
tranqüilo na solidão macia.
Apaziguado comigo,
meu ser me sabe: e me finca
no fulcro vivo da vida.

Sou: estou e canto.


-THIAGO DE MELLO-

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A fonte e a Flor



"Deixa-me,fonte!"Dizia
A flor,tonta de terror.
E a fonte,sonora e fria,
Cantava,levando a flor.

"Deixa-me,deixa-me,fonte!"
Dizia a flor a chorar:"Eu fui nascida no monte...
"Não me leves para o mar".

E a fonte,rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.

"Ai,balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai,claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu!..."

Chorava a flor,e gemia,
Branca,branca de terror,
E a fonte, sonora e fria
Rolava,levando a flor.


Vicente de Carvalho

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

PRECE


Oh criatura luzente de afetos frêmitos,
De intensos prazeres, de doutrina leve,
Que na epístola mordica se descreve;
E que se desfaz, e se lança ao infinito...

Criatura de imensa voz, e de um mito;
Do irreal dos louvores, único e breve,
E das palavras, que sombria se escreve
O amor, desleal de solidão, e maldito...

Oh ser que de paixão fremida se renova,
Que se arremessa, e que se prova
Na imortal combustão de suas dores...

De o seu ventre alimenta-me em calor,
Traz-me o seu fruto, imune de dor;
O de igual coração, o de seus amores!


Poeta Dolandmay

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PÉTALAS DE AMOR


Junto sob os dedos as pétalas
e ao toque sinto a maciez sedosa,
como um carinho pele à pele, estremeço
igual ao vento eriçando a rosa.

Componho a nossa canção de amor
dedilhando as notas com emoção,
declamo os versos com ardor
e a alma chora, aliviando o coração.

A lua nova a se renovar
e o céu infinito a cintilar,
olho bem alto e choro a dor
do tempo que carregou o nosso amor.


AMARILIS PAZINI AIRES

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A lágrima que caiu


Hoje caiu uma lágrima
Não de tristeza,
Apenas caiu, veio rolando de cima
Escorregando em sua beleza.

Hoje caiu uma lágrima roubada
Sentimento profundo, latente
Caiu, desfazendo-se na madrugada
Libertando-se de forma valente

Hoje ela caiu, mas sem aquele véu
Parecendo uma pequena tempestade
Vista descendo do céu.

E foi aquele sentimento louco
Que veio como uma majestade
Aliviando o peso do meu corpo


Betânia Uchôa

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sedução


A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.

Adelia Prado

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SAMPA



Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

(Caetano Veloso)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PURA BELEZA


Quero fazer versos belos como cânticos sacros,
Quero o olhar cativo da mulher que me enfeitiça,
Uma brisa fresca que me afague a pele, o rosto
E um riacho a riscar a verde relva da cidade.

Quero os seres todos irmanados como desejava
São Francisco em sua bondade absoluta.
Quero orquestras com pianos, violinos, clarinetes
Acordando as luzes e manhãs do meu país.

Quero a noite harmoniosa e prateada
Em cantigas tão bonitas, suaves, comoventes,
Que os olhos dessa gente vertam lágrimas.
Quero a plena volúpia varando as madrugadas
E as manhãs encontrando os poetas aturdidos
Com motivos tão vários para suas poesias.


Barão da Mata

sábado, 15 de janeiro de 2011

PALAVRAS AO VENTO

Faça eclipse de teu olhar no meu,
Encontre em meu beijo
A mansidão que te conforta
E permita-me voar... sem tirar os pés do chão.

Sou tela já preparada para os teus contornos,
Pássaro cativo a espera de tuas asas,
Vale de desejos, vertente de bem querer,
Mar sereno em busca de tuas ondas
E de tuas intensidades.
Cascatas de saudade em cada amanhecer.

Estrela cadente a procura de teu céu,
Borboleta sem bosque aguardando teu abrigo,
Beija-flor sem jardim em busca de teu mel.

Sem você o sol brilha, mas não retém calor.
Noite fica sem luar, coração chora ao relento.
Rimas não encontram versos, poesias sem amor,
Palavras contidas, rasgadas...
Lançadas sem rumo...
Jogadas ao vento.

Regina Xavier

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Se possível!



Não tente me explicar
Eu não vim com manual
Nem tão pouco sigo as cartilhas
Vá pela intuição, pelo coração
Não tema errar, não entender
Sou fragmento não tenho forma
Não me explique não me entenda
Apenas me ama se possível!

Santaroza

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Relicário

A lágrima com o brilho do cristal,
banha o teu rosto, a tua história;
a maior força do bem sobre o mal,
traça as honras da tua vitória...

O corpo, pelo tempo enclausurado,
um sacrário da mais torpe agrura;
o sonho que nunca foi realizado,
torna-se passado, nesta brandura...

Transmuta-se num renovado mel,
tão doce quanto a seiva do prazer,
tão bonito quanto ao mais belo céu...

Assim, como marco do bem querer,
cria-se a esperança nesse imaginário,
a ser guardada num fino relicário...

Oswaldo Genofre

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

2011 CHEGANDO..........SELINHOS PRÁ VOCES

NESTE FINAL DE ANO DEIXO AQUI O MEU CARINHO PRÁ TODOS QUE AQUI ESTÃO COMIGO.
E AQUI VOS ESPERO EM 2011 PRÁ SEGUIRMOS NOSSA JORNADA COM AMOR, CARINHO E AMIZADE !
UM BEIJO CARINHOSO NO CORAÇÃO DE CADA UM DE VOCES!

FELIZ ANO NOVO!!

M@ria


http://marialbozolipoesias.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

É Natal...


Esquecemos os que vivem na solidão,
Seu olhar triste... e tão cinzento,
Que choram seu tamanho lamento,
Nas lágrimas frias... sem emoção!

Esquecemos a fome, dos que passam,
A paz dos que lutam o sofrimento,
O amor dos que sofrem em tormento
Por entre a vida que lhes diz... não!

Ai se apenas, apenas uma Estrela
Caísse na palma da minha mão...
Eu a manteria aberta, para vê-la,

Brilhar em vosso sofrido coração,
Penetrando vossa alma e aquecê-la,
Acendendo vosso olhar na escuridão!


Loucopoeta

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Alguém


Se algum dia pensares em mim,
pense em alguém que luta,
que sonha, que espera.
Pense em alguém que tem
cicatrizes profundas na alma,
Cicatrizes que continuam vivas
apesar do tempo.
Pense em alguém que continua lutando,
apesar das inseguranças.
Que apesar de tanto sofrimento
ainda sonha em ser feliz.
Mas acima de tudo,
pense em alguém que jamais
esquecerá que tu existes.

Lúcia Polonio

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

RAMO EM FLOR


Para cá e para lá
sempre se inclina ao vento o ramo em flor,
para cima e para baixo
sempre meu coração vai feito uma criança
entre claros e nebulosos dias,
entre ambições e renúncias.
Até que as flores se espalham
e o ramo se enche de frutos,
até que o coração farto de infância
alcança a paz
e confessa: de muito agrado e não perdida
foi a inquieta jogada da vida.


Hermann Hesse

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CIRANDA DA VIDA

Ele testemunhou diversas primaveras
com botões eclodindo em fragrâncias e tonalidades,
colheu manhãs azuis, diáfanas, suaves,
envolvido pela brisa perfumada.
***
Ele enfrentou verões de sol ardente e bravo,
com seus pés amassando a terra estorricada,
valorizando os goles de um pouco de água,
agradecendo à chuva as dádivas da vida...
***
Ele viveu outonos de frutos maduros,
varreu folhas castanhas caídas nas calçadas,
sentiu a aragem fria das noites sem alma,
quando há suspiros de estrelas
no fundo do peito...
***
Ele se fez inverno de galhos despidos,
de flocos prateados sobre a paisagem,
adormeceu ao lado da fogueira altiva,
e a chama crepitante, linda, forte e viva,
mostrou que o Tempo é sempre
apenas a passagem ....

(Fátima Guerra)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Madrugada

Ah, que tristeza é essa que não finda...
Esmagam-se as rosas
Pétala a pétala
Tristes esses versos
Sem pudor
Sem nexo
Vou virando a página
Reescrevo a história
Pra apagar da memória
Os sonhos que vivi...
Na controvérsia das horas
Quebrem os relógios
Dê adeus aos olhos
É hora de partir...


(Márcia Cristina Lio Magalhães)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Colho dores

Passeio no jardim, distraída.
Pensamento distante. Fui traída.
Baixo o olhar. Uma rosa. Arrepio.
Uma rosa vermelha. Sorrio.

Plantei roseiras p´ra colher rosas
De todas as cores, e cheirosas.
Esqueci espinhos protetores
E beija-flores, os benfeitores.

Toco a rosa. Espanto o beija-flor.
Puxo a mão. No dedo, aguda dor;
Na flor, latente gota de sangue;
Na pétala, colorido exangue.

Plantei roseiras. Não colho cores,
Nem graça, nem olores, mas dores.
Absorta, ferida, para mim
Volto. Atinjo meu próprio confim.


Mardilê Friedrich Fabre

sábado, 27 de novembro de 2010

Preto e Branco!

Mármore negro
esculpido
febre
dos sentidos
repetidora dos tempos
uníssono dorme
a vida
enquanto o homem não corrói.

Cão feroz late surdamente
seu querer equalizado
domar ignorado
desatino
o real sentido
do
pesadelo compilado.

Introduzir
no vazio provinciano
contraste plastificado
televizinho
mensagens queimando
vida receptora por um fio hipnotizado
centímetros de distancia,
novelas noir .

(Nélson Aharon)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

AS ESTRELAS

Busco lindas estrelas lá no céu,
No céu de manto escuro, sem luar,
E o firmamento, em calmo e suave véu,
Mostra miríades delas a brilhar.

Inefável momento apraz em vê-las,
Cintilantes na noite, na amplidão...
Oh, quão belas são as áureas estrelas,
Que pontilham de luz a escuridão!

Nessa contemplação fenomenal,
Viajo o cósmico mundo dos amores
Cheio do enigma que permeia o astral...

E, no vislumbre dessas visões belas,
Os meus olhos, à luz dos seus fulgores,
Adormecem de amor por todas elas...


J. Udine.

sábado, 20 de novembro de 2010

Então é você

Então é você
que bem antes de mim
diz o que eu queria dizer
tão bem quanto eu diria.
E quem diria?
ainda melhor

Acho que teu nome é poesia
e por isso todos te chamam

Então é você
tua simples presença
preenche a minha existência
me faz ver o que eu não via.
E quem diria?
ainda melhor

Acho que teu nome é vida
e por isso todos te querem

Então é você
que quando fala
instala a compreensão
de tudo que eu seria.
E quem diria?
Ainda melhor

Acho que teu nome é amor
e por isso todos te amam

E quando todos te chamam
quem sou eu pra não chamar?

E quando todos te querem
quem sou eu pra não querer?

E porque todos te amam
“eu sei que vou te amar”

Alice Ruiz

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A CANÇÃO DA SAUDADE

Que tarde imensa e fria!
Lá fora o vento rodopia...
Dança de folhas... Folhas, sonhos vãos,
que passam, nesta dança transitória,
deixando em nós, no fundo da memória,
o olhar de uns olhos e a carícia de umas mãos.

Ante a moldura de um retrato antigo,
põe-se a gente a evocar coisas emocionais.
Tolda-se o olhar, o lábio treme, a alma se aperta,
tudo deserto... a vide em torno tão deserta
que vontade nos vem de sofrer mais!

Depois, há sempre um cofre e desse cofre
tiramos velhas cartas, devagar...
É a volúpia inervante de quem sofre:
ler velhas cartas e depois chorar.
Que tarde imensa e fria!

Nunca mais te verei... Nunca mais me verás...
Lá fora o vento rodopia...
Que desejo me vem de sofrer mais!


Olegário Mariano

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma Visão Celeste!

Incrível tua alma bela: — um colar:
Áuricos são teus olhos em meus dias,
Luas de esmeraldas: — doce alegria!
(Uma silhueta de luz a me amar!...)

Meu amor: — quero teus lábios de mar:
—Aurora boreal, — Canta ventania!...
Rimo versos de amor com melodia...
Curto tua veste duma cor solar!

Beijo teu rastro, ao som da minha vida...
No ocaso sinto o bronze incontido,
Saio do papel com tinta. (— um metal!...)


Inda ecoam teus cabelos; um mistério
Zurzindo minha alma ao etéreo!...
— Álamo:- Tenho teus pés no final.

Machado de Carlos

domingo, 7 de novembro de 2010

Domingo


“Alguns guardam o Domingo indo à Igreja
Eu o guardo ficando em casa
Tendo um Sabiá como cantor
E um Pomar por Santuário.
Alguns guardam o Domingo em vestes brancas
Mas eu só uso minhas Asas
E ao invés do repicar dos sinos na Igreja
Nosso pássaro canta na palmeira.
É Deus que está pregando, pregador admirável
E o seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao Céu, só no final
Eu o encontro o tempo todo no quintal.“

Emily Dickinson

sábado, 30 de outubro de 2010

Sol, lua e estrela


Quando a lua chega
De onde mesmo que ela vem?
Quando a gente nasce
Já começa a perguntar,
- Quem sou? Quem é?
- Onde é que estou?

Mas quando amanhece
Quem é que acorda o sol?
Quando a gente acorda
Já começa a imaginar
- Pra onde é que vou? Qual é?
- No que é que isso vai dar?

Quando a estrela acende
Ninguém mais pode apagar
Quando a gente cresce
Tem o mundo pra ganhar
- Brincar, dançar, saltar
- Correr, meu Deus do céu.
- Onde é que eu vim parar?


Sandra Peres e Alice Ruiz

sábado, 23 de outubro de 2010

"MISTÉRIO"


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!


Florbela Espanca