terça-feira, 20 de outubro de 2009

Borboletas são livres


Borboletas são livres
Minha alma também.
Anseio liberdade, beleza e amor
De ir, vir e sentir
Paixão, ar, calor.

Preciso criar...Voar
Sentir o vento nos cabelos
Mas os pés no chão.
Quero abraço
Mas quero espaço.

Mulher borboleta
Pequenina e voraz
Tem um vôo que seduz
Uma beleza que satisfaz.

Possuidora de uma leveza que conduz
De uma força que induz.
Sua fragilidade lhe traduz
Uma mulher que reluz!

Precisa de arte
Precisa que invada.
Que o coração dispare
Que a saudade mate.

Não a prenda
Traga flores para que venha.
Ela não é para qualquer um
Ela é da natureza
Ela é dela.

Tranque-a e ela morre.
Sopre-a no vento...
Que ela vai.
Mas espere
Pois ela volta.


(Carolina Salcides)

domingo, 18 de outubro de 2009

MARIA-ESTRELA


O rancho no pé-da-serra,
O engenho, o Riacho e o pomar;
O cafezal verdejante,
Na terra vermelha a florar:
Morava ali um caboclo,
Bastante feliz por amar,
A meiga e linda Maria,
Que, um dia,
Com ele subiu ao Altar.

E ele, às tardes, sentava,
Bem rente a um pé de jasmim,
E ali, com a sua viola,
À ela cantava assim:

" Maria! Não existe outra Maria,
Igual a você, entre as Marias,
Neste mundo de meu Deus...
Maria! Seu sorriso me embriaga,
E o luar até se apaga,
Ante a luz dos olhos seus."

Mas, certo dia, Maria
Doente ficou, foi com Deus:
E hoje o caboclo olhando pro céu,
Pergunta às estrelas que vê:
"Qual de Vocês é Maria?
Maria, que estrela é você?
Desça do Espaço sem fim,
Para ouvir os meus versos assim:"

"Maria! Não encontro outra Maria,
Igual a você, entre as Marias,
Neste mundo de meu Deus...
Por isso, quando o sol vier raiar,
Ele é que vai se apagar,
Nas águas dos prantos meus."


Sá de Freitas

Inconfesso Desejo


Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo


" CARLOS DRUMOND DE ANDRADE "

sábado, 17 de outubro de 2009

LA CUISINE EN FLEUR


Pega as rosas do ciúme
e os espinhos do jardim
e os refoga no perfume
dos ramitos de alecrim...

Coração ao fogo brando
para a alma me aquecer
vai em breve refogando
meus desejos de viver...

Espera chegar ao ponto
em que a liga dê prazer
onde tudo seja encanto
pelo encanto de viver...

E de noite à luz da vela
em cada prato uma flor
eu tomo dos lábios dela
um sobrebeijo de amor...


Afonso Estebanez

Eternidade de um amor...


Alinhados...
Presos ao tênue
Liame da eternidade
Eu e você...
Uma história milenar,
Um amor sem fronteiras,
Livre em prados,
Banhando em perfume
Campestre...
Exaltado nas melodias
Apaixonadas,
Versejado em noites
Cálidas e envolventes.
Unidos...
Ornados por crepúsculos
Amorosos, por desejos
Intensos a cada momento
Juntos... Eternamente...
Eu e você.


((Cida Luz))

SONETO EM DOR MAIOR


O amor que eu me desejo, tem cheiro de alvorada,
tem cor de lua cheia, nas brisas de jasmim...
Amor que me incendeia nos sons da madrugada
e tece com estrelas, os sonhos que há em mim.

O amor que eu tanto espero, tem boca apaixonada,
seu coração galopa por meu começo e fim;
me entrega seus silêncios, su’alma desnudada...
É beija-flor imerso, na flor do meu jardim!

O amor dos meus cantares, de rimas passionais,
é puro qual o orvalho, tão vasto quanto o mar,
não anda por atalhos, seu rumo é só me amar.

Que venha em vôo breve, dos céus dos imortais,
e então a vida eu sinta, com todo o seu ardor...
E olvide a Dor Maior, que jurei, fosse o amor!


- Patricia Neme –

INFINITO INVENTADO


Sem base pra firmamento...
asfixiado valsa pelo ar
como tonta borboleta perdida em desatino.

Falta um sopro...um norte...um rumo
nesse seu infinito inventado.

Despenca do ar como gota de orvalho
e pousa nas terras do meu corpo.
...docemente.

Os lábios á procura dos meus
feito planta em desatino.

E pleno...
deposita o pólen doce de suas asas.


Rosy Moreira

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

AMO


Amo, com toda a força do meu peito,
e é por amar assim que sou feliz.
construí, aos poucos, este amor perfeito,
que sabe ser amor, sabe o que diz.


Amo, com um amor todo ele feito
para nunca acabar pois sempre quis
ter um amor assim, tão do meu jeito,
e para tê-lo, tanta coisa fiz!


Amo, como se o amor - coisa tão doce -
fosse maior que tudo o que eu aspiro,
fosse melhor que tudo o que já trouxe.


Amo, e até meu último suspiro
vou amar este amor como se fosse
a água que bebo e o ar com que respiro.


Théo Drummond

Encanto do rio


É encanto do rio, as espumas,
que nas pedras saltam felizes,
Encanto que passeia em minh'alma,
em uma correnteza de luz...

Em que levas minha poesia,
Meu poema sentido e faceiro,
Nos pés dos pássaros enrroscando,
dos galhos levando sementes...

É encanto e magia,
da vida que há em mim...
é o gesto divino passeando
no meu ser, em forma de poesia...

Lavando minhas memórias,
semeando meus desejos,
nos recôndidos dos sentidos,
se me lembro, são lampejos...

O mesmo rio que brota em mim,
como lágrima feliz,
derram-se em cascata,
nos meus sonhos de criança,

Carrega minha mais profunda emoção!


Mando Mago Poeta

terça-feira, 13 de outubro de 2009

POEMA A UMA DEUSA TERRENA


Que te cubram as folhas do plátano
quando a tarde esmaece nos jardins
a claridade gasta em fins de outubro.

Que sejas a mais solene a mais alta
nas lonjuras da abstrata serenidade
nas glórias do incenso na abnegação.

Que sejas a mais firme a mais ágil
nos desfiladeiros rudes da montanha
na transparência na nudez da água
na fortuna na mágoa alheia.

Que te cubram os mistérios até ao fim
na estrada por onde adoro o teu regaço:
a interior presença cintilante, encoberta,
das palavras que ressoam nos meus olhos.


Vieira Calado

Basta um raio de luar, basta uma fresta de sol,
Basta uma estrela a brilhar, basta a flor no seu crisol.
Basta um olhar de ternura, basta um beijo delicado,
Basta um abraço de amor, e o verso nasce letrado.
Basta o balanço do vento, basta a palmeira soprada,
Basta a criança feliz, basta o passo numa estrada.
Basta um minuto de calma, rimando ou fazendo prosa,
Basta sim, para o poeta; pouca coisa, é grandiosa!
Basta o amor no coração e uma ternura sem fim,
Bastou a tua amizade e o verso nasceu assim.

Mírian Warttusch

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

vida alfabética


as reticências
dos meus lábios te vendo,
as vírgulas
do meu olhar assim fervendo,
as interrogações
dos meus caracóis
são notas musicais
tão simples, tão bemóis
grafados na silhueta
do meu amor
cheio de ternura
a te flechar.
Eu, logo eu,
uma amazonas
cuja lança certeira
se faz bico de pena
pra te acertar,
ó dilema
de paixão estonteante.
Ainda que distante
hei de te perfurar
em pleno voo,
minha asa do destino,
esse amor peregrino
encontra em mim
seu abrigo:
vem comigo.
Tu me ensinas a beijar
e eu te ensino a voar.


Sergio, beija-flor-poeta

Nas asas do vento


Nas asas do vento eu cavalgo
Levando todos os meus sonhos
Para o mundo das ilusões
Meus pensamentos cavalgam
Entre mares, e montanhas
Em terras que nem conheço
Em outro mundo entrei...

Os pensamentos me levam
A lugares tão distantes,
Ó... se, eu pudesse deter
Meus pensamentos aqui
Meus pensamentos cavalgam
No mundo das ilusões
O sonho é tão real
Aqui tudo é mais bonito.

O oceano é mais calmo.
Este mundo é bem, melhor
Aqui existe silêncio
Só musica suave ouço
Tudo aqui é tão, bonito,
Deus também está aqui.


Terezinha c werson

domingo, 11 de outubro de 2009

O que te trago!


Trago-te versos,
Por certo querias beijos,
Mas trago-te versos,
Pois carregam mais que ensejos!

Trago-te meus versos,
Pois neles estão meus desejos,
Trago-te em versos,
Todos os meus beijos!

Trago-te versos,
Que saíram de além mar,
Trago-te versos,
Onde conjugo o verbo amar!

Pois trago-te versos,
Carentes e a suar,
Trago-te versos,
Sedentos por te beijar!


Santaroza

Como quem procura a alma


No caminho tão silente do sem fim...
Parti com anjos, na verdade: Serafins!
Pela estrada, fui além de uma jornada...
Fui além céus, muito além da encruzilhada.

Passei por mundos, visitei os submundos;
Os esquecidos, sentimentos mais perdidos.
Vi céu azul, infinitas madrugadas;
Vi sóis e luas... vi estrelas prateadas.

Mas não te vi, nessa minha caminhada;
Mesmo sabendo que estava pela estrada.
Em nenhum céu que passei vi minha amada.
Eu não te achei, foi em vão minha jornada.

Eu fui com anjos, Serafins - sempre ao meu lado;
Te procurando realmente passo a passo.
Na estrada do amar com toda calma...
Te procurei como quem procura a alma


Adriano Húngaro

O QUE EU PROCURO ...


O que eu procuro esta dentro do seu coração!
refletido no brilho do seu olhar
o que eu procuro esta no seu semblante
no seu sorriso de pérola,esta na sua pele de pêssego
o que eu procuro esta na sua simplicidade
esta nos gestos humildes na sua maneira,
de tratar as pessoas no seu amor ao próximo
o que procuro esta na sua alma.
refletido na sua alegria de viver
o que eu procuro e tentar imitar
este seu estilo pra me sentir uma pessoa melhor


ERNANE REZENDE

Um carinho em agradecimento a sua amizade!

sábado, 10 de outubro de 2009

NOTURNO


Ah!... a saudade que vou sentindo, é mágica.
É uma fresta enfeitiçada, seja na noite
pelas estrelas luzentes, brilho e beleza,
de dia,raio de Sol dourando o céu de realeza!

Ah, um Fascínio Romanesco, por este céu,
banquete da Noite, vestindo meus Sonhos
de Noturnos, bendizendo, teus Sonhos
com pompas, sinfonias de estrelas com véus!

Tanta veemência, tanto Amor, posso eu ter!
Vais desenhando todo céu , deixando rastros,
que envolvem de esperanças os Sonhos...

Sonhos que inebriam, meigos Noturnos,
sedução e lume que exalam pela noite
ao brilho do Luar que nos enfeitiça na noite!


(Efigênia Coutinho)

Alma encantada....


Vós...alma de tanta pureza
Que em ternura...me visitais
Com tanta doçura me olhais
Oferecendo-me a vossa beleza!

E de mim podereis ter a certeza
Que meu coração... vós acelarais
Nas doces palavras que me dais
Me retirando toda a possivel tristeza!

Oh alma feminina tão acolhedora
Que me trazeis a vossa leveza
De ser mulher tão encantadora...

E a vós verso com toda a clareza
Versos de minha alma inspiradora
Pelo vosso encanto, de princesa! (MARIA)


Loucopoeta

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

REAL OU VIRTUAL? EIS A QUESTÃO...


Não me canso de olhar pra esse rosto,
Como se eu fosse um telescópio
Na dúvida
quanto à descoberta de um novo planeta.

Perco noites e dias
tentando decifrar através de teclas
o que esta nova face representa para mim.
Se apenas uma atração passageira,
Tipo a aparição de uma estrela cadente,
Ou se um sólido amor à primeira vista.

De minha parte eu pareço mais é
um devoto de Nossa Senhora de Nazaré,
Que com os olhos fixos na imagem
Em profundo silêncio
faz a promessa:
O pobre coração pede pra Deus
muito mais que uma simples amizade.

Por isso se de um lado,
da musa, o poeta conforma-se com a inspiração,
do outro, o homem, perdido no deserto,
Anseia por um rio que seja de verdade,
Ao invés de correr em vão
atrás de miragem.


Jorge Lima

Saudade


Via você na janela na distância,
na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.
Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.
Que saudade...


Mário Quintana

Meu Doce Amor...


À distância nos separa,
Mas, ‘longe’ para quem ama,
Não existe.
É apenas uma questão de tempo...
No entanto, por enquanto,
Assim estamos...
Distantes dos olhos,
Distantes dos corpos,
Distantes das mãos,
Distantes das carícias,
Distantes, sim
Embora apaixonados amantes
Assim, como o Sol e Lua,
Mas sinto-o tão perto de mim,
Perto do meu peito,
Perto da minha alma,
Nos meus sonhos tu sempre estás!
E no amor, meu doce amado,
Unidos, sempre estaremos!


Paty Padilha

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O teu riso


Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.


Pablo Neruda

Sou isso!


Você me pensa e me constroe,
Mesmo tempo que me destroe,
Posto que se me mudas,
O meu eu é que desnudas.

Se seu olhar não sabe ver,
Então é preciso crer,
Não é preciso tatear,
Só é preciso enxergar.

Idealizar é perigoso,
Não sou um ser gasoso,
Fui moldado e construído,
Tenho que ser entendido.

Não posso ser seu rascunho,
Riscado a próprio punho,
Eu não sou seu pensamento,
Sou o que sou! Lamento.


Santaroza

"VEM VER O MAR"


“Olha, vou ver o Mar!
queres vir?

Vou aquecer
minh`Alma fria
estendê-la no Sol
deste dia triste
ausente de girassóis


Dialogar com as gaivotas
uma saudade de asas cortadas

Inventar a liberdade
e soltar o riso
por entre as grades

Há cheiros no ar
E a maresia
Desperta regressos

Vem!
Vamos dançar as ondas
perfumadas de maresia.”


luizacaetano

Versos de nós...


O sol do céu não cairá
e tuas lágrimas sempre hão de molhar
teus olhos.
Teu coração há de sempre amar
ou sofrer por amor
e inda com a dor,
fazer alegres versos.
E essa tua vida sendo um rio
sempre correrá ao mar
e em tua alma hei de buscar
bastantes nexo.
Jamais peças à tua alma
para deixar de amar-me
e como se de um poema a retirasse
deixar de ser meu melhor verso.


Paulino Vergetti Neto

É Tempo Do Nosso Tempo


Não me lembro bem o tempo
em que nossa história começou;
sei o que você me diz: Que foi você
primeiro, que me viu e me quis.
Mas bastou eu também lhe ver
e ao mesmo tempo, lhe querer.
Parece que Papai do Céu
mandou cegar e emburricar
todos os outros homens,
até chegar o derradeiro
tempo, para eu me achegar.
Agora, é comigo e com você,
só depende de nós dois,
darmos provas a nós e ao
mundo, que tudo tem um
tempo, e que nada ocorre
bem antes ou mais depois.
Esse é o nosso tempo, tempo
de recuperarmos o tempo,
e sararmos nossas cicatrizes.
Esse é o nosso tempo, tempo
de fincarmos nossas raízes,
tempo de ficarmos juntos e
todo o tempo, sermos felizes.
.

Antônio Poeta

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"VAZIO REDONDO"


Há um vazio redondo
que fere o silêncio e os gritos
como escarpas estilhaçadas ...

Há um abismo redondo
na poeira dos meus passos
um precipício de mêdo
tecido na rotina dos dias...

Há um esgar de ausência
em cada noite encostado
como se esperasse
um pássaro por amanhecer...

Um cansaço de acuçenas
amarelecidas pelo tempo
sangrando as esperas na arena,

as Primaveras, subitamente feridas,
se extinguem num vazio redondo
como um grito contra o muro.


luizacaetano
(do livro Lisboa In Versos)

A Poesia nasce em mim....


A poesia nasce em mim
Assim como nasce a fantasia
Assim como nasce a flor
No jardim de quem planta
Assim como nasce o dia
Da vida de quem ama

Em meio a fadas e carinho
Amizades e elogios
Ela nasce feliz sorrindo
No papel que ainda em branco a espera
Assim como o nasce dos sonhos
Na vida de quem ama

O eu ser pessoa fada
inicia a escrever
A inventar versos meus
Na pensamento ainda lento
Assim como fazem os poetas
Na vida de quem compõe


Ana Beatriz Nascimento

As Borboletas Brancas


As borboletas brancas
de vida tão breve
fogem duas a duas
entre o azul e o verde.
Tão paralelamente
e tão iguais de longe
(uma é a outra, uma é a outra...).
Ambas da mesma forma
e do mesmo tamanho,
ambas com o mesmo ritmo.
(uma é a outra, uma é a outra...).
o ar separa-as nos ares,
como um reflexo na água,
uma é a outra, uma é a outra.
Flores de duas pétalas,
logo de quatro, de oito...
(uma e outra, uma e outra...).

Cada uma agora é dupla,
todas duas são uma...
chegam, juntam-se,afastam-se,
vêm, afastam-se, fogem...
... entre o azul e o verde
todas brancas desfolham-se...
( uma é a outra, uma é a outra...)
e passam de uma a outra,
e depois de uma e de outra
apenas são nenhuma.


Cecília Meireles

domingo, 4 de outubro de 2009

VENDEDORA DE SONHOS


Carrego os sonhos comigo.
Quero vendê-los de porta em porta.
Toda uma mercadoria com marca registrada.

Meus sonhos têm olhar transparente!
Uma raridade onde não há dores
cortinas ou muralhas...
não há armas desamores e feridas.

Eles abraçam num elo
o mundo a liberdade e a vida.

Bendizem esperança.
Caminham avançam e se desenham
coloridos na vidraça.

Emergem e destrancam todas as portas e janelas.

Sonhos sem nome...sem endereço
enfileirados sob o travesseiro.

Não cabem mais em mim.
Preciso dividí-los.

Porque são sonhos grandes demais
e bonitos demais para se sonhar só.


Rosy Moreira