domingo, 4 de outubro de 2009

Avesso


pode parecer promessa
mas eu sinto que você é a pessoa
mais parecida comigo
que eu conheço
só que do lado do avesso

pode ser que seja engano
bobagem ou ilusão
de ter você na minha
mas acho que com você eu me esqueço
e em seguida eu aconteço

por isso deixo aqui meu endereço
se você me procurar
eu apareço
se você me encontrar
te reconheço.

(Alice Ruiz)

sábado, 3 de outubro de 2009

SEGUIR ADIANTE


A viagem mais significativa
que alguém pode fazer
não é aquela pela qual se
conhece lugares distantes e exóticos.

A viajem entre todas a mais marcante
É aquela em que o ser
sai em busca de si mesmo,
E que olhando pelo retrovisor
extrai grande lição dos acidentes
que ficam para trás

Fazendo esse percurso
em baixa velocidade,
É possível observar com clareza as situações
e os dilemas de onde geralmente
vem a multa, em forma de atraso.

Com tal descoberta,
Evitamos tropeços e conseguimos detectar pistas,
Sinais reveladores da verdadeira fronteira
entre os nossos limites
e o infinito valor de nossa potência.

A viajem entre todas a mais marcante
que alguém pode fazer,
É aquela que começa no aqui e agora,
a partir da qual se consegue dirigir a si próprio
com total segurança.

Deste modo vamos sempre mais além
do que o indicado pelo nosso mapa.


Jorge Lima

Amanhã não sei...


Amanhã não sei, pensarei em sobreviver...
Depois de tudo restou um pouco de mim.
Refiz meus planos, pensei muito em minha gente
Imaginei ser o amor essencial, não poderia esquecê-lo...
Agora ando em volta da casa dia e noite, assustado
No balançar das folhas que o vento leva pra longe
Adormecia e sonhava com meu amor... saudades.
Foi assim um dia, o sol a massagear meu corpo,
Olhava parado aquela imagem refletida nos teus olhos
Lembro da expressão que via, da saudade que você sentia
Chorei muito, confesso, mas nunca te esqueci...
Hoje, mais vivido, eu não sinto mais saudades, morro dela...

Arruda Bonfáh

METADE


Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a musica que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece,
e nem repetidas com fervor,
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado
na infância
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade
eu não sei
e que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também..."


(Oswaldo Montenegro)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Presente


Embalei-me e me entreguei
Fiz-me contente, numa embalagem de presente
Devolveste-me sem abrir, sem ver o conteúdo
Fez-se mudo, fez-se ausente

De volta, quebrada, dividida
Recolhi os pedaços, recompus
Colei onde foi possível, refiz peça perdida
Num quebra cabeças, no escuro, sem luz

Escondi-me num canto, curei feridas
Sem me importar com cicatrizes, saí
Fui pra rua, não estava pronta, tropecei
Muitas vezes, outras tantas cai

Mas o tempo, meu tempo presente
Traz-me de volta, faz milagres, cura
Minha alma, seca minhas lágrimas
E me recupera, tira-me da loucura

Olho, o sol que se põe, tarde que chega
Vida que vai, vida que vem, presente
Tempo presente, vivo meu presente
Mas não mais me dou de presente.


Fátima R. Batista

Doem! Doem!


Os sonhos doem,
porque são forjados na solidão,
nos labirintos e nos becos,
da alma que se encontra vazia.

Os sonhos doem,
porque são sonhos sós,
sem previsão ou certeza,
da alma que espera muito.

Os sonhos doem,
porque são desejos desenhados,
em paredes do pensamento,
da alma que espera luz.

Os sonhos doem,
porque são cara e coroa,
luz e escuridão,
da alma que viaja.

Os sonhos doem,
porque são castelos de areia,
que o vento não perdoa,
se a alma não é crente.


Santaroza

FLOR


A flor aberta no teu rosto
abre na noite árida e surda
uma paisagem de águas frescas,
de tinhorões, avencas, murtas,
ovelhas límpidas e músicas;
na vida velha, de sol posto,
mortos jardins e faces secas
faz circular seu vinho nítido,
que lábios e astros embebeda
com seu clarão de um gosto híbrido,
entre raio e luz e fruto,
pungente mel, beijada seta.
Eu quero a espada de um minuto
do teu espinho, ó flor aberta.


(Abgar Renault)

Anjo meu


Tens os olhos verdes claro
E um brilho sem igual
Tens plantado nas retinas
Uma estrela natural

Tem na boca um doce beijo
Que adocica o meu querer
Tem os lábios feitos em mel
Doces beijos são os seus

Teus cabelos longos lisos
Faz se em ondas balançar
Tu caminhas feito um anjo
Sobre nuvens a flutuar

Diga! Olhos verdes...
Em que sorte me encontra?
Sou caboclo, sertanejo,
Terra bruta e ramagens!
Tu és linda feita um céu
De uma áurea divinal.


” Catarino Salvador “.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Amor no Éter


Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e vão neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.


¬ Adelia Prado ¬

Bar


Garçom me traz mais um pouco de esperança
aquela que o senhor me serviu
já acabou...

Traga-me um pedaço de doçura
está meio amargo
este trago que trago em meu peito

Coloca uma pitada de alegria
porque esta dose fria
pode me fazer chorar
e eu não quero borrar a maquiagem
que com cuidado fiz
para aqui me sentar

Veja para mim uma dose de pureza
porque nesta louca passagem
já ultrapassei a heresia

Arranja-me também um tantinho de apego
é que me desacostumei a querer alguma coisa
mas sabe como é...
sempre é bom ter algum apego
que é para dar algum sentido a vida...!!!


Angela Lara

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Jura Secreta 41


te amo e amor não tem nome
pele ou sobrenome
não adianta chamar
porque ele não vem quando se quer
tem seus próprios códigos e segredos
mas não tenha medo
pode sangrar pode doer
e ferir fundo
mas é razão de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo mesmo breve
porque te amo no sol
no sal no mar na neve

Artur Gomes

Nas asas do vento


Nas asas do vento eu cavalgo
Levando todos os meus sonhos
Para o mundo das ilusões
Meus pensamentos cavalgam
Entre mares, e montanhas
Em terras que nem conheço
Em outro mundo entrei...

Os pensamentos me levam
A lugares tão distantes,
Ó... se, eu pudesse deter
Meus pensamentos aqui
Meus pensamentos cavalgam
No mundo das ilusões
O sonho é tão real
Aqui tudo é mais bonito.

O oceano é mais calmo.
Este mundo é bem, melhor
Aqui existe silêncio
Só musica suave ouço
Tudo aqui é tão, bonito,
Deus também está aqui.


Terezinha c werson

EU QUERO!


Entrego o meu poema ao vento
que dele se faz poesia
nós dois na alegria
do encanto da canção!

Quero o verso
rimado qual feitiço
um encontro perfeito
de um novo dia com
raios de sol!

Quero o beijo que
me deste a
sonora harmonia
da paz e da magia.

Quero as flores
as rimas e as cores
quero que vejas
estrelas em mim!

Quero com
a alma exposta
na emoção
tanto tempo contida
viver
realidade e sonhos!

Quero olhar o mar contigo
navegar nas ondas do
meu desejo
o resto é silêncio do oceano!

Quero num amplexo eterno
Dizer-te: "EU QUERO!"


Celina Vasques

Separação de Bens


Você fica com a razão.
Eu fico com os dias ensandecidos
Com o vento nos seus cabelos
Com o canto final do sol
No dourado da sua pele.

Você fica com a verdade.
Eu fico com os raios da lua
Com os sussurros sem nexo
Os beijos loucos, dementes
Com a obsessão dos corpos.

Você fica com o direito.
Eu fico com as horas de gozo
Com o ruído das folhas das árvores
Com seus dedos tecendo anseios
Na brancura do meu corpo

Você fica com o que é certo.
Eu fico com a incerteza
Com a beleza do instante sem continuidade
Com o momento perdido entre as horas
Com a eternidade perdida no momento.

Você fica, meu amor.
Eu sigo.


Dalva Agne Lynch

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sentindo-te


Murmuro versos
Que sai
Do meu pensamento,

Pétalas largadas
Da alma,
Narradas ao vento,

Que multiplicam-se
Quando sensivelmente
Te tocam,

Perfumadas
Do mais
Louco sentimento,

Essa sensação
Traçada
No meu peito,

Com os traços
Aveludados de amor
Que deixaste
No meu leito!


Loucopoeta

Girassóis da Rússia


Somos como girassóis ao vento,
Giramos em busca do calor,
Somos como a estrela da lenda,
Que virou estrela cadente por amor.

Girassóis são fortes, giram para a luz,
Giram para o vento, buscam seu lugar,
Giram em torno da vida, giram pro sol,
Giram e continuarão sempre a girar.

Enquanto houver o verdadeiro amor,
Que traga luz, o novo, que traga calor.
Eles giram em busca da vida, do ar.

Gira, girassol dos corações sangrando.
Não deixe o amor morrer, continue lutando
Somos girassóis da Rússia querendo amar.

Márcio Campos Pacheco

UMA NOITE DO SEU JEITO


UMA NOITE DO SEU JEITO

Uma noite de paz...
Uma noite perfeita...
Uma noite daquelas mais que especiais...
Sempre no melhor estilo...
Sempre do melhor jeito!

Uma noite de sorrisos...
E que sejam sorrisos lindos.
Sorrisos cheios de amor
Cheios de paz e de brilho!


Uma noite de amores e paixões
Dessas que fazer bater
Descompassadamente o coração
Preenchendo-o de emoção

Então que seja sempre
Uma noite especial...
Uma noite perfeita...
No seu melhor estilo
Do seu jeito!


Adriano Húngaro

domingo, 27 de setembro de 2009

Teu nome


Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

(Frederico Garcia Lorca)

Talvez assim...


Talvez se não fosse este véu
de ilusão em tua vida e tua face eu
conhecesse e ainda a tua alma
fosse-me revelada no olhar...

Talvez se o som da tua voz
não ecoasse somente em sonhos
dos meus desejos e na sensibilidade
dos meus ouvidos eu sentisse teu
coração...

Talvez se a vaidade que cobre
teus sentimentos não ostentasse
orgulhos e libertasse a pureza do teu
jeito de amar e minha emoção
pudesse te encontrar...

Talvez assim, somente assim,
não existiria essa ausência dolorida
acariciando a saudade e o amor estivesse
nos beijando em sua sublime ternura...

(Cida Luz)

Vou pintar os lírios no campo


Vou pintar os lírios nos campos
tingir de cores vibrantes
para quando o sol surgir em mim,
refletir em raios coloridos
e propagar-se para todas
as flores...
em campos e jardins floridos.
Vou pintar os lírios nos campos
antes do entardecer
para quando o sol se por
na lua refletir
tão colorido amor...

BRANCA PIRES

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quero flores na janela


Olhar e ver a donzela
Em dia de festa na terra
Enfeitada como o vaso bem florido
No peitoril da janela

Ver os girassóis e margaridas
Dar vida e muita vida
Por trás daquela cortina
De renda feita por ela

Olhar e ver a fogueira
Acesa e a volta dela
Toda malta bem contente
Se aquecendo nela

Sentir o perfume Já chegando
Porque a noite desceu bela
Com lua clara e bem cheia
A iluminar o rosto dela

Por trás da cortina
Olho as flores bem de perto
Quero flores na janela
Pretexto para olhar pra ela.


Denise Figueiredo

Da vida nem quero tanto


Da vida nem quero tanto
Pelas manhãs o seu abraço
Nas tardes douradas seu colo
E nas noites uma casa no campo

Não quero castelos de areia
Quero construções em rochas
Singelas, porém harmoniosas
Com mais flores e menos pranto.

Quero um sorriso largo e intenso
Viver um dia de cada vez
Com sinceridade e doçura
Com mais graça e menos lei

Da vida nem quero tanto
Quero amigos junto à mesa
Compartilhar sem hipocrisia
Olhar nos olhos e exalar alegria.

Não quero tanto da vida...


Arnalda Rabelo

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eu faço versos como quem chora


De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto
Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.
E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!


Manuel Bandeira

Tango


Um tango me persegue desde a infância
no canto, no piano, na memória
e se me impõe à voz, timbrando vário
são prolongar em mim a sua essência
nos dedos de meu pai sobre o teclado.
Não somente: transporta desde longo
Tempo a escrita do pai, letra de tango
no papel sempre então visto e relido.
Um tango me persegue: sua marca
é o realejo crepuscular que sinto
na imaginação rodando lento
e quanto mais passado mais se acerca.

E letra e pai e som, tudo afinal
gira ao compasso do tango fatal.


(Fernando Py em Sol Nenhum)

Não sei onde estás, se falas
ou se apenas olhas o horizonte,
que pode ser apenas o de uma
parede de quarto. Mas sei que
uma sombra se demora contigo,
quando me pergunto onde estás:
uma inquietação que atravessa
o espaço entre mim e ti, e
te rouba as certezas de hoje,
como a mim me dá este poema.

(Nuno Judice)

Se eu pudesse guardar os teus sentidos


Se eu pudesse guardar os teus sentidos
Numa caixa de prata e de cristal,
Entre conchas do mar, búzios partidos,
Pequenas coisas sem valor real...
Se eu pudesse viver anos perdidos
Contigo, numa ilhota de coral,
Para além dos espaços conhecidos,
Mais longe do que a aurora boreal...
Se eu soubesse que o olhar de toda a gente
Te via, por milagre, repelente,
Que fugiam de ti como da peste...
Nem assim abrandava o meu ciúme,
Que é afinal o natural perfume
Da flor do grande amor que tu me deste.


(Reinaldo Ferreira)

VÉUS, VÔOS E AVESSOS


Quando amo plenamente
abro os portais da alma
sem medo de me lançar
ao alizarim, ao azul
arrisco a entrega inteira
sem temer vôos ou quedas
vislumbro o céu e o avesso
nos olhos descortinados
vejo verdes, lilases, anis
cor-de-noite, terra, gris
janelas abertas, paraísos...
Coração leve, apaixonado
livre dos véus da ilusão
avança no vazio violeta
inventa novos jardins
revive entre nuvens e luzes
ultrapassa limites, cintila
num trânsito eterno-etéreo...

(Ana Luisa Kaminski)

Enquanto houver uns olhos que reflectem
outros olhos que os fitam,
enquanto a boca responda a suspirar
aos lábios que suspiram,
enquanto sentir-se possam ao beijar-se
duas almas confundidas,
enquanto exista uma mulher formosa,
haverá poesia!


(Gustavo Adolfo Bécquer)